Política POLÍTICA
Empresário suspeito de comprar dados do STF por R$ 4.500 é alvo de prisão, mas não é localizado
Homem suspeito de ser o mandante das ações também teria fornecido listas de CPFs para obter informações
01/04/2026 18h52
Por: Redação
Moraes autorizou PF a cumprir mandados de busca e apreensão Victor Piemonte/STF - 25.3.2026

A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira (1°) a segunda fase da Operação Exfil, deflagrada para apurar acessos ilegais de informações fiscais de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e seus parentes.

O ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva do empresário Marcelo Paes Fernandez Conde, filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde, mas a polícia não o localizou. Ele é considerado foragido. O R7 tenta contato com a defesa do empresário.

O empresário é suspeito de ser o mandante das ações. Ele teria fornecido listas de CPFs e realizado pagamentos em espécie, no valor de R$ 4.500, para receber as declarações fiscais obtidas de forma ilícita.

De acordo com a PF, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo, todos contra Marcelo Paes Fernandez Conde.

O empresário é acusado de acessar ilegalmente os sistemas da Receita Federal e vender as informações privadas de ministros.

Além das buscas domiciliares e pessoais, Moraes autorizou a quebra do sigilo telemático dos aparelhos apreendidos, permitindo a extração de dados que possam confirmar a negociação de valores e a eventual reiteração da conduta criminosa.

A investigação constatou que foram acessados dados de 1.819 contribuintes, entre os quais pessoas vinculadas a ministros do STF, do TCU (Tribunal de Contas da União), deputados federais, ex-senadores da República, ex-governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários, entre outros.

Segundo a apuração policial, o esquema funcionava como uma “cadeia de intermediação estruturada” que contava com a participação de servidores públicos com acesso funcional, funcionários terceirizados (vigilantes), despachantes e intermediários.

A primeira fase da operação foi realizada em fevereiro deste ano e teve como alvo funcionários públicos lotados na Receita e auditores do órgão.

Por determinação de Moraes, os servidores investigados cumprem diversas medidas cautelares, como monitoramento por tornozeleira eletrônica, afastamento do exercício de função pública, cancelamento de passaportes e proibição de saída do país.

Do R7, em Brasília, com informações da Agência Brasil