O Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual no Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira, de 14,50% para 14,25% ao ano, em decisão unânime. O movimento era esperado pela maioria do mercado financeiro e representou o terceiro corte consecutivo desta magnitude do ciclo de alívio dos juros iniciado em março, quando a Selic estava em 15%.
Segundo pesquisa do Valor Pro com 112 instituições financeiras, 94 esperavam corte de 0,25pp dos juros, para 14,35%, e outras 18 projetavam manutenção em 14,50%. No Copom anterior, em abril, o BC havia indicado que planejava continuar o ciclo de “calibração” dos juros, mas sem detalhar o ritmo e a extensão de seus próximos passos.
Essa cautela foi adotada pelo colegiado em virtude das incertezas no cenário externo provocadas pela guerra no Oriente Médio, mas também sobre a velocidade de desaceleração da atividade econômica brasileira, essencial para a tarefa do BC de colocar a inflação na meta.
“Mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária, o Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”, disse o BC, na ata do Copom de abril.
“Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras”, completou.
Em abril, a projeção oficial do Copom para o IPCA, que utiliza a taxa Selic do Boletim Focus, era de 4,6% no fim de 2026 e de 3,5% no fim de 2027. O último horizonte é o prazo com o qual o BC trabalha atualmente para colocar a inflação na meta. O alvo é de 3,0%, com nível de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
As expectativas do mercado, por sua vez, eram de 4,9% e 4% para 2026 e 2027, nessa ordem, no último Copom e subiram para 5,3% e 4,1% na última pesquisa Focus, encerrada na sexta-feira passada.
Essa disparada das projeções, na avaliação dos economistas, reduz o espaço para novos cortes da Selic à frente. Antes da decisão desta quarta-feira, não era desprezível a corrente que acreditava que a queda recém-definida poderia ser a última de um ciclo muito breve.
O gatilho para o aumento das expectativas de inflação foi o início da guerra no Irã, que provocou um forte impacto nos preços de petróleo globalmente. No entanto, a expectativa de um cessar-fogo com o recente acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã não deve mudar o jogo para a política de juros no Brasil, segundo analistas. A questão é que a inflação brasileira já mostra aumentos mais difundidos entre os grupos de preços, e não só restritos aos impactos nos combustíveis.
Além disso, há a perspectiva de alta em alimentos devido ao clima, com a previsão de um El Niño muito forte este ano. Outro ponto de preocupação é que a atividade econômica brasileira continua bastante resiliente e pode se fortalecer mais com os programas lançados pelo governo federal recentemente, como novas linhas de crédito.
Por Agência O Globo