O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta sexta-feira que “não cabe falar em retaliação” ao comentar as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Ele lembrou que o Congresso Nacional aprovou uma lei que protege os interesses do país e prevê mecanismos a serem adotados em casos de medidas unilaterais por parte de outros países, como a reciprocidade, mas descartou recorrer ao recurso no momento.
— Não cabe falar em retaliação. Retaliação é uma palavra que está fora do nosso escopo, fora do nosso trabalho — disse a jornalistas em São Paulo (SP).
Durigan continuou:
— A gente não pode entrar nessa ótica de usar o momento político-eleitoral para fazer ataques políticos-eleitorais, prejudicando a economia. O meu papel é garantir que a economia siga estável, numa boa trajetória, seja protegendo, discutindo com os empresários brasileiros, seja avaliando com cautela o processo de reciprocidade que o Congresso nos ofereceu para que a gente acompanhe isso, leve ao presidente.
Os Estados Unidos anunciaram semana passada que passariam a aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir do dia 22 de julho, com uma lista de exceções que abrange produtos importantes da pauta de exportações, como carne e suco de laranja.
Com o aumento, o Brasil terá a segunda maior tarifa efetiva cobrada pelos Estados Unidos, atrás apenas da China. A estimativa é da iniciativa suíça Global Trade Alert, que monitora acordos comerciais e sobretaxas aplicadas pelo país.
Na sexta-feira passada, em reunião com os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considerou a retaliação como o desfecho mais provável. Ontem, no entanto, reportagem do GLOBO mostrou que um eventual contra-ataque foi postergado.
Durigan acrescentou que o governo ainda irá analisar os impactos sobre os diferentes setores antes de adotar medidas e reiterou que as metas macroeconômicas serão cumpridas.
— A gente vai, como eu disse ontem, garantir o cumprimento das metas e um bom resultado macroeconômico para o país como um todo, em que pese a gente saber que alguns setores específicos precisam de atenção. É isso que a gente está fazendo agora com muito diálogo com os diferentes setores.
Por Agência O Globo