Justiça JUSTIÇA
Relatório da PF usado por Moraes para implicar Mendonça ameaça plano de Lula de Messias no STF
Nova indicação de AGU para a vaga de Barroso segue nos planos do Planalto, movimento que encontrou resistência de Moraes na Corte
05/09/2026 13h34
Por: Redação Fonte: Por R7

Interlocutores do governo federal avaliam que o relatório da PF (Polícia Federal), sem assinatura, usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), além de atacar André Mendonça, relator do caso do Banco Master, também tenta enterrar uma nova indicação de Jorge Messias, ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), ao STF. (Essa matéria foi postada antes pelo Portal R7)

Na derrota histórica do governo Lula no Senado, em que o nome de Messias foi rejeitado por 42 votos, o Palácio do Planalto também viu digitais de Moraes.

A informação foi publicada pela colunista Malu Gaspar, de O Globo, e confirmada pelo R7 com fontes do Planalto e da PF.

Messias está no meio do embate entre PF, STF e PGR (Procuradoria-Geral da República). De um lado, há críticas na condução das investigações envolvendo o Banco Master, com a PF questionando inclusive as intervenções feitas por André Mendonça; de outro, há a cobrança de Mendonça, que lança dúvidas sobre o próprio diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do PGR, Paulo Gonet.

Para aplacar o mal-estar, Messias tentou resolver o embate nas vias diplomáticas, em vez de questionar as decisões de Mendonça. A cautela do ministro é para evitar dar voz aos questionamentos feitos em diversas instâncias e que poderiam colocar em xeque as provas coletadas até aqui, segundo fontes próximas a ele.

O documento da PF, no entanto, diz que Messias preferiu não acionar o STF contra as decisões de Mendonça para preservar alguma relação política. Quando ele foi indicado ao STF, Mendonça era um dos seus aliados, enquanto, do outro lado, estava Moraes lutando contra sua aprovação.

“A escolha do advogado-geral da União por priorizar seu relacionamento com o relator [Mendonça], em detrimento da redução dos riscos de exploração política do caso envolvendo o filho do presidente da República [alvo de inquéritos no âmbito das investigações do INSS], eleva substancialmente a percepção de risco associada a eventual renovação de sua indicação ao Supremo Tribunal Federal”, diz o documento.

Outro trecho ainda afirma que Mendonça estaria “engajado” em uma estratégia de mudar as forças do STF.