Segundo maior colégio eleitoral do país, com 16,3 milhões de eleitores, Minas Gerais é considerado estratégico para o segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No primeiro turno, o senador ficou à frente do presidente no estado, com 48,24% dos votos válidos, contra 43,33% do petista. Nas próximas semanas, os dois candidatos já planejam viagens a Minas para buscar votos na reta final da campanha.
Flávio recebeu 5.777.548 votos dos mineiros, enquanto Lula teve 5.188.936. A diferença foi de 588.612 votos.
O resultado aumenta o desafio da campanha petista em Minas, estado que tem um histórico de acompanhar o vencedor da disputa presidencial desde a redemocratização. Em todas as eleições presidenciais desde 1989, o candidato eleito para o Palácio do Planalto também venceu em Minas Gerais.
Flávio venceu em importantes colégios eleitorais, como Belo Horizonte, Contagem, Uberlândia e Betim.
Lula, por sua vez, manteve redutos eleitorais, como Juiz de Fora e municípios do norte de Minas, mas não conseguiu compensar a vantagem do adversário no estado.
Mapa da apuração do 1º turno em Minas Gerais
• Flávio Bolsonaro (PL)
• Lula (PT)
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Estratégias
Uma das estratégias do PT para o segundo turno é reforçar a presença em regiões onde tradicionalmente encontra maior apoio.
Após o resultado no estado, a campanha decidiu enviar Ana Elisa, de 21 anos, eleita deputada federal mais votada de Minas Gerais, para percorrer o território mineiro.
A atuação terá foco principalmente na região dos vales, onde o PT historicamente registra bons resultados. A iniciativa busca fortalecer a mobilização local e ampliar o diálogo com eleitores que podem ser decisivos para a tentativa de recuperação de Lula.
Ana Elisa também foi acionada para contribuir com a estratégia digital da campanha.
Flávio, por sua vez, busca ampliar sua articulação em Minas e reunir o endosso de partidos da política tradicional. O senador conta com o apoio de partidos como Republicanos, Novo, União Brasil, PP e Podemos, além de políticos como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Michel Temer. O escritor Augusto Cury (Avante) também declarou apoio ao candidato.
Abstenção
Minas Gerais registrou 3.735.098 abstenções no primeiro turno, o equivalente a 22,81% do eleitorado.
No país, a abstenção chegou a 21,08%, o maior percentual desde 1998. Os eleitores que não compareceram às urnas representam um contingente que as duas campanhas podem tentar mobilizar no segundo turno, embora não seja possível prever quantos voltarão a votar nem quais candidatos escolherão.
Além disso, Lula e Flávio terão de buscar votos entre os eleitores que escolheram candidatos derrotados na primeira etapa. A decisão desse público dependerá de fatores como afinidade política, rejeição aos candidatos e adesão às propostas apresentadas para o segundo turno.