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Trabalhador gasta mais de R$ 40 por dia para almoçar fora de casa

Alta é de 17,4% em comparação com 2019; São Luís (MA) é a capital com a refeição mais cara do país, com preço médio de R$ 51,91

Redação
Por: Redação Fonte: Mariana Botta, do R7
08/07/2022 às 08h43
Trabalhador gasta mais de R$ 40 por dia para almoçar fora de casa
Preço médio do almoço do trabalhador brasileiro está 17,4% maior que em 2019 JULIA CHEQUER/F15.06.2016/OLHAPRESS

O trabalhador brasileiro gasta, em média, R$ 40,64 com o almoço fora de casa, nos dias de expediente. Esse valor é 17,4% mais alto que o preço que era cobrado em 2019, antes da pandemia, como mostra a pesquisa Preço Médio da Refeição Fora do Lar, realizada pelo empresa Mosaiclab para a ABBT (Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador). A capital que tem o almoço mais caro do país é São Luís (MA), com custo médio de R$ 51,91.

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O estudo, realizado entre fevereiro e abril de 2022, classifica o Rio de Janeiro como a segunda capital de estado onde o trabalhador paga mais caro pelo almoço: R$ 47,09. Florianópolis (SC) está em terceiro lugar, com R$ 46,75, em quarto vem Aracaju (SE), com R$ 46,11, e na quinta posição está Natal (RN), com o preço médio de R$ 44,78. 

 

Fazem parte da pesquisa estabelecimentos de 51 cidades brasileiras e do Distrito Federal, que aceitam o benefício vale-refeição como forma de pagamento. Para o cálculo, considera-se o que o PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), vinculado ao governo federal, julga ser uma refeição ideal: prato pronto, bebida (refrigerante, água ou suco), sobremesa e café.

 

A cidade de São Paulo está no sexto lugar entre as capitais onde o almoço custa mais caro, com preço médio de R$ 43,27. No estado, para almoçar fora de casa, o trabalhor paga, em média, R$ 43,01, o que representa uma alta de 19% na comparação com o mesmo período de 2019, ano em que foi realizada a última edição desse levantamento.

Para se chegar ao preço médio praticado no rstado, foram pesquisados restaurantes onde pode ser usado como forma de pagamento o vale-refeição, na capital, região metropolitana, interior e litoral. As cidades consideradas no cálculo do preço médio estadual foram: São Paulo, Barueri, Guarulhos, Osasco, Santo André, Diadema, São Bernardo, São Caetano, Taboão da Serra, Jundiaí, Ribeirão Preto, Campinas, São José dos Campos, Sorocaba e Santos. 

“Apesar do aumento, os restaurantes estão se adaptando à nova realidade do mercado, trazida pela pandemia da Covid-19, evitando repassar o aumento dos custos aos trabalhadores”, afirma Jessica Srour, diretora-executiva da ABBT. Ela diz que isso pode ser observado pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor), apurado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

 

Os dados divulgados em abril, mesmo período da pesquisa, mostram uma variação acumulada da inflação de 12,13% nos últimos 12 meses, sendo 6,63% o índice do aumento dos preços da alimentação fora do lar no mesmo intervalo de tempo, e 16,12% a evolução dos preços da alimentação no domicílio.

 

"O setor de bares e restaurantes continua em dificuldades, por isso os donos dos estabelecimentos estão fazendo o que podem para manter e atrair clientes. Tentam economizar ao máximo, infelizmente tiveram de demitir, enxugam gastos onde podem, mudam para lugares mais baratos, diminuem a margem de ganhos, e até colocam a mulher para trabalhar", conta Percival Maricato, diretor institucional da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).

 

 

Ele diz que somente a refeição, em São Paulo, se for em restaurantes por quilo ou bufês, custa em torno de R$ 30, R$ 35, mas ao adicionar bebida, café e sobremesa, atinge e até supera o valor médio obtido pela pesquisa da ABBT. "Mas se a pessoa optar pelos locais que servem prato feito, o preço é menor, pode chegar à metade disso", completa.

Levando em conta o preço médio nacional do almoço, R$ 40,64, um profissional que não recebe da empresa um auxílio para refeição e se alimenta fora de casa cinco dias por semana, teria de desembolsar R$ 894,08 por mês. “Por isso, a Pesquisa Preço Médio da ABBT é um importante termômetro para as empresas concederem o benefício adequado às necessidades de seus funcionários. A evolução dos preços dos alimentos reforça a importância desse tipo de benefício para que o trabalhador tenha acesso a refeições de qualidade, nutritivas e equilibradas", avalia Jessica.

 

"Os empresários do setor ainda estão inseguros, esperavam voltar à realidade anterior, mas o cenário continua desfavorável, com inflação alta, perda de renda da população. Muitos sobrevivem graças aos vales refeição. Infelizmente, a projeção é de uma melhora mais demorada", fala o diretor da Abrasel.

 

Preços por região

Os preços médios do almoço variam conforme a região do país, pois refletem a realidade econômica de cada lugar. Para a diretora da ABBT, o fechamento de bares e restaurantes pode ter afetado os valores apurados no levantamento realizado. Cerca de 30% dos estabelecimentos voltados à alimentação fora de casa encerraram suas atividades durante a pandemia, informa Maricato.

 

“Cada cidade sentiu o aumento dos preços de maneira diferente, de acordo com sua realidade econômica e social. Em maio, na capital paulista, por exemplo, o preço da cesta básica superou o valor do salário-mínimo nacional, ficou em R$ 1.226,10", explica Jéssica. 

 

A pesquisa retrata os preços médios da refeição nas cinco regiões brasileiras, sendo a Sudeste a que apresenta o almoço mais caro, R$ 42,83, e a Centro-Oeste a que tem o mais barato, R$ 34,20. 

 

Veja os preços médios das outras regiões e capitais

Regiões:

Sudeste - R$ 42,83

Nordeste - R$ 40,28

Sul - R$ 36,97

Norte - R$ 36,14

 

Capitais:

São Luís - R$ 51,91

Rio de Janeiro - R$ 47,09

Florianópolis - R$ 46,75

Aracaju - R$ 46,11

Natal - R$ 44,78

São Paulo - R$ 43,27

João Pessoa - R$ 42,76

Salvador - R$ 42,19

Recife - R$ 42,04

Belém - R$ 41,04

Vitória - R$ 39,66

Campo Grande - R$ 39,22

Curitiba - R$ 38,38

Belo Horizonte - R$ 36,83

Cuiabá - R$ 36,61

Palmas - R$ 36,61

Porto Alegre - R$ 36,12

Teresina - R$ 34,92

Maceió - R$ 34,76

Brasília - R$ 33,37

Manaus - R$ 31,91

Fortaleza - R$ 29,65

Goiânia R$ 27,94

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