
A análise dos pesquisadores, divulgada na terça-feira (12), destaca os seguintes pontos como motivos para o aumento das infecções:
Isolamento social cada vez menos utilizado como uma estratégia de contenção da pandemia
Utilização de máscaras e outras medidas de higiene deixam de ser uma atitude para a maioria da população
Inexistência de campanhas de conscientização e de orientação
A nota é assinada por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), entre outras. O documento alerta ainda para a possibilidade do surgimento de novas variantes.
"Salientamos, mais uma vez, que a pandemia está longe de ser encerrada, com o vírus circulando fortemente no Brasil e no mundo, com a possibilidade de surgirem novas variantes, que podem ser menos perigosas, ou mais mortíferas [8, 9], uma loteria que não deveríamos estar jogando", dizem os pesquisadores.
Vacinação e mortes
Os pesquisadores afirmam que os número de mortes provocado pela Covid-19 poderia ter "atingido patamares muito maiores" se não houvesse a vacinação. No entanto, segundo os especialistas, o Brasil ainda tem "parcelas significativas da população sem o esquema vacinal completo".
A nota técnica diz que "as muitas mortes por Covid-19 registradas diariamente, uma média de 240, são reflexo da parte da população que deixou de se imunizar". Além disso, os pesquisadores alertam que, devido à onda atual da doença, a tendência é de que o total de óbitos aumente.
O documento explica que, como as mortes costumam ocorrer 18 dias após os primeiros sintomas, a média de óbitos registrados no país pode ficar elevado pelos próximos dois meses.
"Tal quadro ainda é preocupante, agravado pela ausência de campanhas de informação, que reforcem o papel central da vacinação para o controle da pandemia, e informando as consequências de contrair o vírus", diz o documento.
Pandemia no DF
Desde início da pandemia, até esta quarta-feira (13) 821.763 pessoas foram infectadas pela Covid-19 no Distrito Federal. Dessas, 11.799 perderam a vida para a doença, segundo boletim da Secretaria de Saúde.
A taxa de transmissão passou de 0,83 na segunda-feira (11), para 0,78. O número indica que cada 100 pessoas infectadas podem transmitir a doença para outras 78, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Quando o índice está abaixo de 1, significa que a propagação do vírus está em desaceleração.