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Covid: a doença talvez nunca desapareça:

Alto número de casos assintomáticos e possibilidade de transmissão entre humanos e animais tornam difícil a erradicação do coronavírus

Redação
Por: Redação
12/12/2022 às 14h23
Covid: a doença talvez nunca desapareça:
População com máscaras nas ruas para evitar disseminação da Covid-19. Gabriel de Paiva

Há três anos, a Covid-19 abalou o planeta. A pandemia não acabou, e pesquisadores alertam que devemos aprender com essa crise para lidar melhor com as próximas.

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A pandemia de Covid vai acabar logo?

"Ainda não chegamos a esse ponto", alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) no início de dezembro.

 

— (Embora pelo menos 90% da população mundial tenha algum tipo de imunidade), lacunas na vigilância, nos testes, no sequenciamento e na vacinação continuam criando as condições ideais para o surgimento de uma nova variante preocupante que pode causar uma mortalidade significativa — alertou seu diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

 

A OMS é encarregada de declarar o fim das pandemias, "um momento extremamente importante" e polêmico, para o qual provavelmente ainda não está preparada, afirmou o microbiologista Philippe Sansonetti, na quarta-feira, no Instituto Pasteur, na França.

 

Os especialistas esperam que a pandemia se torne progressivamente um vírus endêmico, que circulará e terá um ressurgimento regular, como o sarampo, ou a gripe sazonal.

 

Podemos erradicar esta doença algum dia?

É muito pouco provável. A epidemia de Sars (síndrome respiratória aguda grave) que eclodiu em todo mundo em 2003 e deixou quase 800 mortos, foi contida graças a medidas de isolamento e quarentena. O vírus da varíola já foi declarado "erradicado" em 1980, graças a uma campanha de vacinação da OMS. Mas esse cenário é extremamente incomum, e "a Covid-19 preenche todos os requisitos errados" para erradicar um vírus, disse Sansonetti.

 

Para começar, parte dos infectados pela Covid é assintomático, o que dificulta o isolamento. O vírus é transmitido aos animais, que podem circulá-lo e reinfectar os humanos.

 

Além disso, as vacinas protegem bem contra as formas graves da doença, mas pouco contra as reinfecções, e não é vitalícia, o que torna necessárias as doses de reforço.

 

Quais são os principais riscos a seguir?

Para o diretor da unidade genômica evolutiva de vírus RNA do Instituto Pasteur, Etienne Simon-Lorière, "hoje deixamos o vírus circular demais". Cada vez que alguém é infectado, podem aparecer mutações que podem fazer com que evolua para formas mais ou menos graves.

 

— Embora gostemos de acreditar, não há razão para pensar que ficará melhor — diz ele.

 

De fato, outros vírus respiratórios podem surgir. Desde o aparecimento da Sars, Mers e Sars-Cov2, "encontramos uma dúzia de coronavírus em morcegos que podem potencialmente infectar humanos", revelou Arnaud Fontanet, especialista em doenças emergentes do Instituto Pasteur.

 

Aproximadamente de 60% a 70% das doenças emergentes são de origem zoonótica, ou seja, são transmitidas naturalmente de animais vertebrados para humanos e vice-versa.

 

Os humanos intensificam suas interações com os animais e contribuem para perturbar o ecossistema, favorecendo a transmissão.

 

Como se preparar?

Para Arnaud Fontanet, "muito pode e deve ser feito no início de uma epidemia". Em 2020, a Dinamarca impôs um confinamento muito cedo, graças ao qual saiu mais rápido, explica.

 

Também é importante desenvolver testes cedo, para isolar os doentes o mais rápido possível.

 

— Infelizmente, hoje ainda estamos na reação, e não na expectativa — lamenta o pesquisador.

 

No nível internacional, volta a ser relevante o conceito "Uma só saúde", surgido no início dos anos 2000, que promove uma abordagem global para os desafios da saúde, associando a saúde humana, a saúde animal e o meio ambiente.

 

Um projeto de acordo global sobre gestão da pandemia foi debatido em Genebra na semana passada, na esperança de evitar os erros que marcaram a luta contra a Covid-19.

 

 

Por O Globo

 

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