
A deputada federal eleita Marina Silva (Rede-SP) recusou o convite do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para ocupar o cargo de Autoridade Climática em sua gestão. A informação foi confirmada ao GLOBO por aliados da ex-ministra.
Segundo pessoas próximas a Marina, ela argumentou a Lula que a função de Autoridade Climática deve ser ocupada por uma pessoa "técnica", e não por uma parlamentar.
A Autoridade Climática ainda será criada na gestão do petista e foi uma condição de Marina para apoiar Lula na campanha eleitoral. Ela foi pensado como um órgão técnico do governo, que aponta para as medidas necessárias para o combate às mudanças climáticas. Não foi, portanto, pensada como um espaço para acomodar agentes políticos.
Nesta sexta-feira, horas antes de se encontrar com Marina, Lula se reuniu por cerca de 1h com Simone Tebet (MDB-MS) e ofereceu o Ministério do Meio Ambiente para a senadora. Como antecipou o GLOBO, Tebet aceita comandar a pasta, mas apenas se houvesse uma dobradinha com Marina, que, neste desenho, ocuparia a Autoridade Climática com status de ministério.
Com a recusa de Marina, criou-se um impasse para Tebet. Seus aliados reafirmam que a emedebista não aceitará o cargo sem o aval de Marina, informação também confirmada por pessoas próximas à deputada federal da Rede. As duas se tornaram amigas durante a campanha, e Tebet disse reiteradamente a aliados na última semana que não queria "passar por cima" da aliada.
Após reunião com Marina, Lula e Tebet embarcaram juntos rumo a São Paulo em meio às negociações sobre o ministério.
Interlocutores de Marina disseram ao GLOBO que o cenário mais provável é que a deputada federal seja indicada para o Meio Ambiente, enquanto Tebet vá para Cidades, pasta que Lula já garantiu ao MDB. Porém, a expectativa é que o presidente eleito resolva o xadrez político apenas no domingo.
overlay-cleverLogo
Impasse no MDB
Em reunião com o MDB na quinta, Lula indicou que o partido ficará com os ministérios de Transportes e Cidades. O primeiro já tem um nome de consenso, o ex-governador de Alagoas Renan Filho. Mas o segundo está sendo alvo de disputa dentro do partido.
Embora tenha despontado como favorito, o deputado federal José Priante (PA) sofre a resistência do clã Barbalho. Havia uma expectativa de que o governador Helder Barbalho (PA) e o líder do partido na Câmara, deputado Isnaldo Bulhões Jr (AL), decidissem em reunião nesta sexta, o que não ocorreu. O prazo para bater o martelo é a próxima terça-feira.
Integrantes do MDB disseram reservadamente ao GLOBO que se não houver um nome de consenso não for possível, a pasta de Cidades se viabilizaria como uma segunda opção para Tebet.
Ontem, em reunião com a cúpula do MDB, Lula disse que poderia oferecer também o Planejamento para a senadora, o que não aconteceu. A pessoas próximas, Tebet disse que não teria interesse na pasta, que considera técnica e de pouca ação política.
Por O Globo