
A Justiça italiana aceitou o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, apresentado pelo governo brasileiro. O processo tramitava em sigilo e agora entra em nova etapa.
Com a decisão, o caso será enviado ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, responsável pelo veredito final sobre o retorno ou não da ex-parlamentar ao Brasil.
A defesa de Zambelli afirmou que vai recorrer. Fábio Pagnozzi, advogado da ex-parlamentar, afirmou que tem 15 dias para seguir com o processo e, nesse período, espera que o ministro da Justiça da Itália se manifeste.
O deputado italiano Angelo Bonelli confirmou a decisão ao postar nas mídias sociais que o “tribunal em Roma decidiu hoje [quinta-feira] aceitar o pedido de extradição de Carla Zambelli”.
“A decisão final, de acordo com a lei italiana, será tomada pelo ministro da Justiça, Carlo Nordio, que poderá confirmar ou rejeitar a decisão do tribunal. Caso o ministro não se manifeste, Carla Zambelli será libertada. Resta saber se os advogados dela recorrerão ao Supremo Tribunal de Cassação”, escreveu ele.
A decisão ocorreu após rejeição de pedido da defesa para troca dos juízes responsáveis pela análise, tema discutido ao longo de quatro adiamentos.
A Embaixada do Brasil em Roma foi informada pelos advogados. Ainda cabe recurso no âmbito judicial, antes de o assunto ser levado para a decisão final do governo italiano.
Caso ocorra o retorno ao Brasil, existe a possibilidade de cumprimento de pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, localizada a cerca de 35 km do centro de Brasília. A unidade tem capacidade para 1.062 detentas e abriga atualmente 809 presas.
Entenda o caso
Em maio, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Zambelli por invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça. A ação contou com auxílio do hacker Walter Delgatti, também condenado no processo.
Mesmo após a condenação, não havia ordem de prisão quando a ex-deputada deixou o país. A medida foi determinada depois da saída do Brasil.
O ministro Alexandre de Moraes também estabeleceu bloqueio de passaportes, salários e benefícios parlamentares, além de multa de R$ 50 mil por publicações em redes sociais consideradas irregulares.
Após o anúncio de saída do país, o STF concluiu o julgamento e decretou o trânsito em julgado, o que impede novos recursos. Na sequência, Moraes determinou o pedido de extradição.
Zambelli declarou ter deixado o Brasil por motivos de saúde e em defesa da liberdade de expressão. Antes de chegar à Itália, passou pelos Estados Unidos. A ex-deputada afirma possuir cidadania italiana.
* Colaborou Rute Moraes, da RECORD, em Brasília
Por R7