
Neste mês de setembro temos no Brasil a campanha denominada Setembro Amarelo. Trata-se da maior campanha do mundo sobre o suicídio, criada pelo Conselho Federal de Medicina em conjunto com a Associação Brasileira de Psiquiatria e abraçada pela sociedade, cujo intuito é informar a sociedade, combater os estigmas e, assim, prevenir esta tragédia social.
Inicialmente foi estabelecido pela Organização mundial da saúde (OMS) o dia 10 de setembro como dia mundial de prevenção do suicídio, porém devido à importância e ao tão grande estigma, infelizmente ainda presente na sociedade brasileira com a saúde mental, no nosso país, foi ampliado para um mês inteiro.
Segundo a OMS a cada 40 segundos, ou seja, menos que o tempo de você ler este pequeno texto, alguém cometeu suicídio. São aproximadamente 1 milhão de vidas perdidas anualmente, milhões de famílias arrasadas com o luto e infelizmente esses dados seguem em ascensão em todo o mundo. Com a pandemia do COVID-19 e todos os fatores estressores que ela trouxe, houve uma piora geral na saúde da nossa população, a qual também se refletiu na saúde psíquica. Temos visto um aumento expressivo de casos de ansiedade (inclusive, já éramos o país com maior prevalência da doença) e depressão. A perturbada conjuntura econômica, política e social também não contribuem em nada no bem-estar do povo brasileiro.
Falar e promover saúde mental sempre foram obrigações, porém, neste contexto, passou ainda mais a ser uma questão essencial. Cerca de 98% das pessoas que comentem suicídio tem ou tiveram algum distúrbio psiquiátrico não tratado ou diagnosticado ou não corretamente tratado e um dos fatores que mais impede o tratamento adequado é o preconceito social com estas doenças.
Falas como “depressão é falta de Deus”, é “safadeza”, “preguiça”, devem ser completamente abolidas e combatidas. Ninguém adoece porque gosta ou quer. As doenças mentais, acontecem, assim como várias outras doenças, por fatores genéticos e ambientais.
Porem vale lembrar que, ao contrário do que muita gente pensa, não é só quem tem depressão que comete suicídio. Muitos casos estão ligados ao estresse, a momentos de impulsividade, ansiedade extrema, irritabilidade, dentre tantas outras causas.
É preciso atentar principalmente quando as pessoas dão alguns sinais de alerta, desde que as coisas não vão bem, até a uma franca ideação suicida. Comentários que demonstrem desespero, desesperança, desamparo, desmotivação, como: “eu não deveria ter nascido”, “minha vida não vale a pena”, “talvez a gente nem se encontre mais”, são importantes indicadores e devem ser levados a sério, buscando ajuda especializada. Precisamos também atentar a quando as pessoas estão “organizando sua despedida” (bilhetes, cartas, testamento, recados, acumulo de medicamentos, ligações) e/ou tem meios letais de fácil acesso, como armas de fogo, por exemplo. Além daquelas pessoas que estão vivendo situações de alta carga de estresse emocional.
Cuidar da mente é fundamental. Escute, fale e se precisar busque ajuda.
“Precisamos orientar e conscientizar a sociedade sobre a prevenção do suicídio. Por isso, neste mês de setembro, nós concentramos nossos esforços na prevenção efetiva. A morte por esta causa é uma emergência médica e pode ser evitada através do tratamento adequado do transtorno mental de base.” Como escreveu Dr. Antônio Geraldo presidente da ABP.
Texto escrito pelo doutor Aécio Alves