
Estudantes protestam contra 600 mil mortos na pandemia de Covid durante evento com Bolsonaro, Campinas Foto: Reprodução
CAMPINAS (SP) — Um grupo de seis estudantes entrou na tarde desta sexta-feira em evento do presidente Jair Bolsonaro, em Campinas, para protestar contra as 600 mil mortes causadas pela pandemia de Covid-19 e por corte de verbas para o Ensino Superior. Bolsonaro reagiu e mandou os jovens saírem do local. Eles deixaram a cerimônia espontaneamente e de forma pacífica. Quando a palavra foi passada ao presidente, uma jovem que estava na plateia se levantou e disse:
— Seiscentas mil mortes por Covid, contra o corte de verbas para ciência e tecnologia, pela universidade pública, fora Bolsonaro!
Houve pouca reação na plateia. O presidente, já no púlpito, mostrou irritação:
— Estão saindo daqui para não responder quanto é 7 x 8, raiz quadrada de 4. Saiam agora daqui — disse o presidente, em seguida.
Mais adiante em seu discurso, Bolsonaro falou que os manifestantes eram "dignos de pena".
Durante sua fala, Bolsonaro lembrou que em 2015, quando já sabia que disputaria a Presidência da República, começou a falar do nióbio e do grafeno. Contou ainda que quando visitou o Japão encontrou correntes valiosas feitas de nióbio.
— Aprendi lá, não sei se é verdade, que algumas tem alergia a ouro, essas pessoas não são políticas.
Bolsonaro também voltou a criticar a possibilidade de alteração do marco temporal da Constituição de 1988 para a demarcação de terras indígenas. O tema está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
— Na ONU, falei por alto disso. ‘Não fala desse assunto, não toque nisso, faça um discurso de estadista. Que estadista, po?
O presidente ainda repetiu mais uma vez que há pessoas melhores que ele para comandar o país e se queixou de pedidos por postos em ministérios.
— Tem centenas de pessoas melhores do que eu, mas a oportunidade caiu para mim. Oportunidade não, missão. Não queira estar na minha cadeira. Se não tiver estômago e muita cabeça, destrói sua família no primeiro momento. Raras são as pessoas que entram lá para falar de Brasil. geralmente, é apoio, está difícil a situação, se não pintar um ministério fica complicado.
O presidente também negou novamente a possibilidade de interferir no preço dos combustíveis.
— Não tenho poder sobre a Petrobras. Não vou na canetada congelar o preço de combustível. Muitos querem. Mas já tivemos experiência de congelamento no passado.
Como já havia feito na véspera, disse que as Forças Armadas vão participar das eleições. Na verdade, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou uma comissão de transparência que terá a participação de militares na fiscalização.
— Pode ter certeza que não vai ter sacanagem nas eleições, não. Convidaram as Forças Armadas, nós aceitamos e vamos participar de todo processo eleitoral. Vamos acabar com a suspeição.Tudo quase que eu faço passa pelo Parlamento.
Bolsonaro participou da 1ª Feira Brasileira do Nióbio,realizada no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas. O evento ocorre apenas nesta sexta-feira e tem acesso restrito a convidados. Antes de discursar, o presidente percorreu os estandes e conversou com fabricantes de produtos desenvolvidos com o uso do nióbio.
Na feira, Bolsonaro caminhou sem máscara em um ambiente fechado, embora não tenha ocorrido aglomeração.
Desde antes de ser candidato a presidente, Bolsonaro faz propaganda do nióbio e do grafeno e cita os minerais como caminho para o Brasil se desenvolver.
Fonte: O Globo