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Mulher, vítima de erro médico em cirurgia, deixa hospital no Rio

Ela voltou para casa na favela da Rocinha

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Brasil
29/08/2022 às 19h55
Mulher, vítima de erro médico em cirurgia, deixa hospital no Rio
© Arquivo/Tânia Rêgo/Agência Brasil

A vendedora Daiana Chaves Cavalcanti, de 35 anos, deixou hoje (29) o Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), depois de 38 dias internada, submetida a vários procedimentos cirúrgicos para reparar danos provocados por uma abdominoplastia e colocação de prótese nos seios, operação realizada no Hospital Santa Branca, em Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro. A cirurgia foi feita pelo cirurgião plástico equatoriano Bolívar Guerrero Silva, 63 anos. A paciente ficou internada por mais de 60 dias.

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Como os procedimentos cirúrgicos foram malsucedidos, Daiana, sentindo febre e fortes dores nos seios e no abdômen e com a barriga aberta, retornou ao hospital, onde permaneceu por mais de dois meses, período em que o seu estado de saúde se agravou. A paciente acusou o médico de mantê-la em cárcere privado. Daiana conseguiu, através da Justiça, ser transferida no dia 21 de julho para o Hospital Federal de Bonsucesso.

Três dias antes, o médico Bolívar Guerrero Silva foi preso por policiais da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), de Duque de Caxias, sob acusação de manter a paciente em cárcere privado.

Bloqueio de recursos

No dia 20, a juíza Elizabeth Maria Saad, da 5ª Vara Cível de Duque de Caxias, acatou um pedido da defesa de Daiana visando bloquear recursos do Hospital Santa Branca. Na decisão, a magistrada determinou o bloqueio de R$ 198 mil para custear a transferência e o tratamento da mulher.

O advogado Ornélio Mota, que defende Daiana, disse que, do valor bloqueado pela Justiça, até agora só foram encontrados R$ 38 mil. Ele contou que vai pedir que a juíza Elizabeth Saad libere parte desses recursos para o tratamento em casa da paciente, que ainda necessita de muitos cuidados por causa das feridas abertas.

“Os traumas são irreparáveis. As cicatrizes vão continuar. O importante é a recuperação gradativa dela [Daiana]. Ela não corre mais risco de morte, segundo a equipe médica, mas precisa de cuidados em casa, pois ainda há feridas expostas”, disse Ornélio. “Eu vou entrar ainda hoje com um pedido de tutela de urgência, para que a juíza libere parte do valor bloqueado para contratar profissionais para fazer curativos na paciente”, acrescentou.

Ele pediu também o bloqueio dos bens do cirurgião plástico para que Daiana seja indenizada pelos danos provocados pelos procedimentos estéticos. “Daiana chegou ao Hospital de Bonsucesso com tecido necrosado abaixo dos seios e com uma ferida aberta na barriga”, explicou o advogado.

Daiana disse, ao deixar o hospital, que “estou aliviada em poder voltar para casa, na [favela da] Rocinha, e ficar com meus dois filhos e meu marido que foram incansáveis, me dando força, durante o meu período de internação”.

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