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No sertão da PB, película protege frutas e gera economia de 40% de energia

Eles substituíram o uso do freezer pelo de uma biopelícula capaz de manter a qualidade das frutas sem a necessidade do congelamento.

Redação
Por: Redação
30/08/2023 às 16h43 Atualizada em 30/08/2023 às 20h40
No sertão da PB, película protege frutas e gera economia de 40% de energia
Imagem: Arquivo Instituto Nacional do Semiárido

A produção de polpas de frutas exige um alto consumo de energia elétrica para manter freezers em funcionamento a fim de evitar que os alimentos apodreçam antes do beneficiamento. O consumo de energia não pesa apenas no bolso, mas também na conta da preservação do meio ambiente ao emitir mais gases de efeito estufa.

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Agricultores da Cooperativa Fonte de Sabor, com sede no município de Pombal, no sertão da Paraíba, encontraram uma solução ambientalmente sustentável para esse problema e reduziram em até 40% o valor da conta de energia.

 

Eles substituíram o uso do freezer pelo de uma biopelícula capaz de manter a qualidade das frutas sem a necessidade do congelamento. O material, feito de fécula de mandioca misturado à mucilagem - substância gelatinosa - da palma e da babosa, impede que o fruto tenha contato com o meio externo, o que evita que ele amadureça e apodreça.

 

"Essa mistura é aplicada nos frutos com uma técnica chamada layer by layer, ou camada sobre camada, e reduz a respiração do fruto, o que retarda o seu amadurecimento", explica o coordenador de Pesquisas do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Emmanuel Pereira.

 

Hoje, a cooperativa só utiliza os freezers para conservar as frutas quando o volume de produção aumenta muito e a biopelícula não dá conta. Ainda assim, a conta de energia, que era de R$ 4,2 mil, caiu para, em média, R$ 2,5 mil, uma redução de 40%. Além disso, hoje não há mais o desperdício de frutas que apodreciam antes de serem beneficiadas.

Película natural reduz a respiração do fruto e retarda o seu amadurecimento

Película natural reduz a respiração do fruto e retarda o seu amadurecimentoImagem: Arquivo Instituto Nacional do Semiárido

Preparo natural

Todo o preparo da película é natural e a sua retirada ocorre com o uso da água corrente. A tecnologia foi criada e aperfeiçoada por meio de uma parceria entre o INSA, a cooperativa Fonte de Sabor e a ONG World Transforming Technologies (WTT). A biopelícula é aplicada nas frutas sensíveis como manga, mamão e goiaba.

 

A renda gerada pela cooperativa Fonte de Sabor impacta diretamente 14 famílias cooperadas. Parte delas comercializa frutas como matéria prima, outra parte trabalha diretamente na produção das polpas, doces e geleias. Indiretamente, outras cerca de 100 famílias que produzem frutos em regiões vizinhas também lucram com a venda extra quando a demanda de produção da cooperativa aumenta.

 

A cooperativa Fonte do Sabor surgiu como Associação Comunitária dos Agropecuaristas do São João, em 2002. À época, o trabalho consistia apenas na produção e comercialização de alimentos. Em 2006, as famílias agricultoras criaram uma agroindústria e passaram a produzir polpas, doces e geleias. Só em junho de 2022 mudaram a modalidade da instituição para cooperativa e a batizaram de Fonte do Sabor.

 

Aumentou a clientela

Essa mudança foi realizada para ampliar a clientela. Antes, o grupo vendia para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), agora vendem para supermercados, padarias e lanchonetes.

 

A adoção da biopelícula, em maio deste ano, teve um papel importante na ampliação das vendas. A tecnologia preserva a qualidade dos produtos mantendo um sabor ideal para a produção, algo que deixa de estar presente quando o fruto amadurece muito rápido.

 

Esse novo passo, impulsionado pela tecnologia, fez a diferença na vida da cooperada Maria da Paz Nascimento dos Santos. "[Se não tivesse a cooperativa], seria muito difícil. Primeiro a seca, que a gente tem que conviver com ela. Hoje, a Fonte de Sabor é a principal fonte de renda minha e da comunidade", diz ela.

 

Sem outras alternativas de renda, as famílias locais vivem do plantio de cultivos de subsistência, como milho e feijão, e de programas de transferência de renda. A produção de frutas se tornou o trabalho de toda família de Maria da Paz. "O meu filho mais velho trabalha na produção de frutas e o mais novo ajuda na divulgação nas redes sociais."

 

Economia e sustentabilidade

De acordo com a agricultora, para além de ter feito bem ao bolso da cooperativa, a nova tecnologia tornou toda a produção mais sustentável. "A gente plantou mudas de frutas nativas de forma agroecológica, mas tinha muito desperdício porque elas amadurecem rápido, agora não tem mais."

 

A criação da biopelícula mostrou que para a criatividade desses agricultores o céu é o limite. Agora, Maria da Paz está envolvida, com pesquisadores da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), no desenvolvimento de uma polpa sabor whey protein com banana.

 

Uma vez testado e aprovado, o produto será destinado ao público de academias. A biopelícula também será usada na conservação das frutas que serão utilizadas nesta produção.

 

Película é feita de fécula de mandioca misturado à mucilagem da palma e da babosa

Película é feita de fécula de mandioca misturado à mucilagem da palma e da babosaImagem: Arquivo Instituto Nacional do Semiárido

O sabor dos produtos, aliado ao conceito de sustentabilidade da produção da cooperativa ganhou fama. As mulheres que atuam no projeto já levaram três vezes o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios na categoria associação e cooperativa.

 

 

 

Adriana Amâncio Colaboração para Ecoa, no Recife (PE)

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