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Com operação em Pernambuco, PF já mirou institutos de três estados e três municípios por aportes no Master

Operação amplia alvos por aplicações de recursos de aposentados no banco

Redação
Por: Redação
11/06/2026 às 08h40 Atualizada em 11/06/2026 às 21h18
Com operação em Pernambuco, PF já mirou institutos de três estados e três municípios por aportes no Master
Agenda da PF em frente ao Instituto Previdenciário de Paulista — Foto: Divulgação da Polícia Federal

Em mais uma frente de investigações envolvendo aportes de recursos de aposentadorias no Banco Master, a Polícia Federal fez ontem uma operação para apurar suspeitas de irregularidades na gestão de verbas previdenciárias dos servidores públicos municipais em Paulista, na Região Metropolitana do Recife (PE). A apuração mira em investimentos com grau de risco de mais de R$ 3 milhões no banco, suspeito de fraudar o sistema financeiro so país. Com a ação de ontem, já são três estados e três municípios cujos institutos de previdência estão na mira dos agentes federais.

Intitulada Operação Take Over, a apuração da PF aponta que os investimentos foram feitos “por meio de decisões em desacordo com as normas legais e com os procedimentos de governança exigidos para a administração de recursos previdenciários”. A investigação na cidade de Pernambuco busca verificar se houve pagamento de propina para gestores do fundo.

“Há indícios de que decisões estratégicas teriam sido tomadas de forma isolada, sem a devida observância dos critérios de segurança, liquidez e transparência. A investigação busca esclarecer se a conduta caracteriza gestão temerária ou fraudulenta e apurar eventual prática de crimes contra a administração pública e o sistema financeiro”, informou a PF em nota.

Pressão política
Além do município de Paulista, as suspeitas sobre aplicações bilionárias, sem critérios técnicos, feitas com recursos de aposentadorias no Master atingem as cidades de Cajamar e Santo André da Posse, no interior de São Paulo, e os estados do Rio, Amapá e Amazonas. Ao todo, os aportes sob suspeita ultrapassam R$ 4 bilhões.

Nos seis casos, investigadores apuram desde falhas na governança dos investimentos e possíveis pressões políticas para liberar os aportes até suspeitas de pagamento de propina, atuação de intermediários e descumprimento de regras técnicas na aprovação das aplicações.

No Rio, a investigação identificou aportes suspeitos feitos pelo Rioprevidência em letras financeiras do Master. As operações teriam movimentado cerca de R$ 970 milhões entre outubro de 2023 e julho de 2024, durante a gestão do ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, nomeado pelo ex-governador Cláudio Castro. Deivis está preso desde fevereiro, e Castro foi alvo de uma operação da PF em maio por conta dos aportes. A defesa do ex-governador nega qualquer irregularidade.

A polícia também apura aplicações de aproximadamente R$ 2,01 bilhões do Rioprevidência, a partir de julho de 2024. Em nota, o instituto afirma que em dezembro de 2025 resgatou R$ 1,4 bilhão de um dos fundos administrados pelo Master e que estuda medidas para reaver o dinheiro alocado em outros fundos.

No Amazonas, a PF investiga suspeitas de aportes irregulares de R$ 390 milhões da Amazonprev, entidade responsável pela previdência social dos servidores públicos civis do estado. No início de março, a corporação realizou uma operação com sete mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estavam três ex-diretores da Amazonprev. Servidores públicos também foram afastados de suas funções.

Em fevereiro, a PF já havia realizado uma operação para apurar suspeitas de irregularidades na aprovação e execução de investimentos de cerca de R$ 400 milhões realizados pela Amapá Previdência (Amprev), autarquia responsável pela previdência social do estado, em letras financeiras emitidas pelo Master. A PF apontou que gestores do fundo ignoraram alertas internos e pressionaram para que o aporte na instituição financeira de Daniel Vorcaro fosse realizado, além de haver risco de destruição de provas.

Os municípios paulistas de Cajamar e Santo André da Posse aplicaram no Master, respectivamente, R$ 107 milhões e R$ 13 milhões.

 

Por O Globo

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