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Bolsonaro disse em depoimento que não podia ficar desarmado porque “tinha três mulheres em casa”

Frase do ex-presidente foi destacada pelo ministro Alexandre de Moraes no despacho em que pediu manifestação da PGR sobre uma possível “falta grave” em razão da posse da arma em prisão domiciliar

Redação
Por: Redação
24/06/2026 às 14h35
 Bolsonaro disse em depoimento que não podia ficar desarmado porque “tinha três mulheres em casa”

Ao depor sobre a apreensão de sua arma durante uma blitz do bafômetro no Distrito Federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que não poderia ficar desarmado, ainda que em prisão domiciliar, porque "tinha três mulheres em casa".

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A declaração foi prestada nesta terça-feira à Polícia Civil no âmbito da investigação sobre o suposto transporte ilegal, por um militar, da arma do ex-chefe do Executivo.

A frase de Bolsonaro foi destacada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no despacho em que pediu a manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre o possível cometimento de falta grave pelo ex-presidente.

O ministro deve analisar o caso antes de decidir sobre o pedido de prorrogação da prisão domiciliar humanitária feito na noite de ontem

Segundo Moraes, a Lei de Execução Penal determina que o condenado que "possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem" comete falta grave. Nessa linha, há consequências se a tal falta for reconhecida, entre elas possibilidade de regressão do regime de pena, inclusive o fim da prisão domiciliar e o retorno de um réu ao cárcere.

Nesta terça, a defesa de Bolsonaro havia informado que em um depoimento de cinco minutos, o ex-presidente afirmou ter percebido que sua arma não estava funcionando e, portanto, pediu ajuda a um militar para consertar o objeto. A mesma versão já havia sido apresentada pelos advogados do ex-presidente ao STF.

A oitiva aconteceu na casa de Bolsonaro e durou cinco minutos. O depoimento faz parte do inquérito aberto pela Polícia Civil após a apreensão de uma pistola Glock calibre 9 milímetros registrada em nome de Bolsonaro. A arma estava em um veículo conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, integrante da equipe de segurança do ex-presidente.

O armamento foi recolhido durante uma abordagem da Polícia Militar do Distrito Federal porque não estava acompanhada do Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), documento exigido para o transporte da arma. Em depoimento prestado à polícia, o militar afirmou que a pistola estava sendo levada para manutenção e que seria posteriormente devolvida a Bolsonaro.

A defesa alegou ao STF que a posse da arma, por Bolsonaro era regular. Segundo eles, apesar da condenação do ex-presidente a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe de estado em 2022, não foi determinada a entrega de armas ou o cancelamento de registros em nome do ex-presidente.

Ainda de acordo com a defesa do ex-chefe do Executivo, a equipe de segurança de Bolsonaro, sem o conhecimento do ex-presidente, retirou o percussor da pistola e a deixou "inoperante", em razão das medicações psiquiátricas que estavam sendo ministradas a ele. O argumento tem relação com a versão do sargento com quem a arma foi apreendida, durante a abordagem de fiscalização da lei seca, no início da semana. Este sustentou que estava com a arma para fazer um reparo.


Por Agência O Globo

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