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Maioria dos brasileiros atribui responsabilidade por tarifaço dos EUA a Flávio Bolsonaro

Levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de julho, antes de Washington confirmar a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros

Redação
Por: Redação
16/07/2026 às 10h27
Maioria dos brasileiros atribui responsabilidade por tarifaço dos EUA a Flávio Bolsonaro
Pesquisa questionou entrevistados sobre quem teria motivado Trump a impor o tarifaço contra o Brasil - Foto: Redes Sociais/Reprodução

Uma pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira aponta que a maioria dos brasileiros atribui a responsabilidade pela imposição de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros a Flávio Bolsonaro (PL).

O instituto questionou os entrevistados quem motivou a medida da gestão de Donald Trump: 51% citaram o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e 30%, o presidente Lula (PT).

O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de julho, antes de Washington ter decidido impor a tarifa de 25% aos produtos brasileiros, nesta quarta.

Na sondagem, os entrevistados questionaram se a responsabilidade foi de Flávio, ao pedir a Trump a sanção contra o Brasil, como alega Lula, ou se foi do atual presidente, por "provocar" os Estados Unidos, como argumenta o senador.

Este mês, Flávio discursou em Washington contra o tarifaço sobre produtos brasileiros e defendeu o Pix — numa tentativa de contornar impactos negativos para a campanha pela atuação bolsonarista em prol de sanções estrangeiras contra supostas violações de direitos de aliados.

Em maio, em meio à crise da pré-campanha pelas revelações do elo com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, o pré-candidato do PL à Presidência foi recebido por Trump no Salão Oval da Casa Branca. Posou para fotos com ele e disse ter discutido o combate ao crime organizado e investimentos estratégicos.

A agenda, de acordo com pessoas próximas a Flávio, foi articulada por interlocutores ligados ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, com participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora nos Estados Unidos, e do influenciador Paulo Figueiredo, aliado do bolsonarismo no entorno republicano americano. Os dois entraram no Salão Oval para a foto com Trump e Flávio.

Governistas passaram a atribuir ao grupo a pecha de "entreguista", especialmente após uma carta de Flávio em que ele defende a intenção de "livrar" o Brasil "das garras" do Mercosul (organização intergovernamental regional sul-americana) e aliviar a carga regulatória e tributária sobre empresas de cartão de crédito e outros meios de pagamento — cerne dos ataques de Washington ao Pix.

Enquanto isso, bolsonaristas reforçaram o discurso de que o Planalto "provocou" os Estados Unidos e não agiu para evitar o tarifaço. Nesta quarta, Rubio afirmou que Lula não negociou de "boa fé".

Em junho, 47% dos brasileiros concordavam com Lula, e 35%, com Flávio. Isso significa que a atribuição de responsabilidade ao senador pelo tarifaço subiu dentro da margem de erro desde o último mês. A adesão aos argumentos dele, no mesmo período, oscilou negativamente.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026,. O Genial/Quaest fez entrevistas com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, de 10 a 13 de julho, pelo país.

A margem de erro para a amostra geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança, de 95%.

 

Por Agência O Globo

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