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EUA condicionaram redução de tarifaço a concessões para empresas americanas; veja setores cobiçados

Governo avalia que, caso o Brasil aceitasse ceder aos pedidos dos Estados Unidos, o impacto econômico seria maior que o causado pelas novas taxas, que atingem 18% das exportações.

Redação
Por: Redação
19/07/2026 às 22h24 Atualizada em 20/07/2026 às 10h04
EUA condicionaram redução de tarifaço a concessões para empresas americanas; veja setores cobiçados
Tarifaço de Trump recoloca em debate a Lei da Reciprocidade Econômica

O governo brasileiro ouviu de autoridades dos Estados Unidos que os setores de bens industriais, químico, aeroespacial e automotivo deveriam ter tarifas zeradas para as empresas americanas para que o governo de Donald Trump pudesse considerar ao menos reduzir o novo tarifaço contra o Brasil.

A proposta se somou às exigências apresentadas em outras reuniões anteriores pelos EUA ao governo brasileiro como:

zerar a tarifa do etanol;
não regulamentar plataformas digitais; e
incluir nas negociações o PIX.
A avaliação de uma ala no Palácio do Planalto é que essa proposta era "indigna" de negociação e "inaceitável".

Segundo esses auxiliares, caso o Brasil aceitasse ceder aos pedidos dos Estados Unidos, o impacto para a economia brasileira seria maior que o causado pelas novas taxas – que impactará 18% das exportações brasileiras para os EUA, segundo o cálculo inicial previsto do governo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro na Casa Branca, em Washington — Foto: RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro na Casa Branca, em Washington — Foto: RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO

A decisão dos americanos de impor uma nova taxa sobre produtos brasileiros gerou uma disputa em torno da responsabilidade pelo novo "tarifaço".

Enquanto a oposição diz que houve falhas na negociação e culpa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integrantes do governo defendem que a determinação tem caráter "ideológico" e "político".

A medida entra em vigor em 22 de julho. Segundo um levantamento da diplomacia brasileira, foram realizados mais de 30 contatos desde o anúncio do tarifaço original. As conversas ocorreram por telefone, videoconferência e reuniões presenciais, em níveis presidencial, ministerial e técnico.

Para interlocutores do governo Lula, o Departamento de Estado americano não deve dar margem para avançar nas negociações ao longo do ano de olho nas eleições do Brasil.

O Planalto, no entanto, seguirá, nas palavras de um negociar, tentando manter um canal de diálogo aberto com foco em diminuir os impactos para os setores afetados.

A estratégia do governo brasileiro, nesse sentido, será levar os próximos passos, "não deixando a emoção tomar conta" e "de olho nos atores" americanos. Um negociador brasileiro afirma que tudo que os Estados Unidos querem são argumentos para serem usados contra o Brasil neste momento.


Por g1

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