
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou nesta segunda-feira falar sobre o comportamento do presidente da Argentina, Javier Milei, ou da crise bilateral instalada após o chefe de Estado do país vizinho participar de convenção do senador e pré-candidato ao Palácio do Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em evento no sábado, Milei falou das condições econômicas de seu país quando assumiu o cargo, atrelando isso ao socialismo. Ele criticou o chamado Foro de São Paulo “criado por Lula da Silva e Fidel Castro, uma rede internacional chave para a disseminação do comunismo no continente”.
— O que quero dizer é que o Brasil ainda não viveu as consequências mais nefastas e profundas deste modelo, mas pode vivê-las se não der uma volta de rumo. Confiamos em você, Flávio, para conseguir parar o socialismo — falou.
O presidente argentino ainda chamou Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), de "lixo careca" por ter negado pedido de visita a Jair Bolsonaro.
Na noite de domingo, o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, recebeu o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para manifestar a insatisfação do governo brasileiro com as declarações do presidente argentino.
No encontro, o chanceler transmitiu a repulsa do governo às críticas dirigidas Lula, às instituições brasileiras e ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
A reunião ocorreu após o Itamaraty convocar formalmente o representante argentino para prestar esclarecimentos sobre a conduta de Milei em território brasileiro. Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o governo considerou sem precedentes o fato de um chefe de Estado estrangeiro usar uma visita ao Brasil para atacar o presidente da República, instituições democráticas e o povo brasileiro.
“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, disse o MRE.
Em outra frente, o ministro da Fazenda Dario Durigan chamou de Milei de “palhaço” pelas críticas que fez ao Brasil durante evento de confirmação da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Em entrevista à Radio Jornal, Durigan destacou os índices negativos da economia argentina e afirmou que o Brasil está melhor que o país vizinho.
— O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil quando o risco país Argentina é muito mais alto,a dívida pública é muito mais e a inflação muito mais alta. Não dá para entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar apocalíptico — disse.
A fala irônica de Lula ocorreu após reunião com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, na qual houve o anúncio de que os dois países chegaram a um acordo sobre minerais críticos.
Segundo Lee, as nações atuarão em conjunto em toda a cadeia de suprimentos desses minerais, considerados estratégicos para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia.