
Uma forma de tentar amenizar os efeitos da inflação no orçamento é pesquisar preço e isso pode deixar a situação ainda mais espantosa.
A diarista Patrícia Oliveira é daquelas de dar inveja em quem quer economizar. Sabe de cor o preço de tudo que compra, só sai de casa com a listinha pronta, fica de olho em promoções e conhece os mercados da região onde mora.
"Não dá para levar tudo. Eu vou fazendo a lista em casa do que vai acabando, mas tenho que fazer essas manobras, de levar as ofertas, aplicativo, folheto. Para tentar pegar alguma coisa que ainda dê para estar levando", explica ela.
Com a inflação alta, a pesquisa de preço ganha ainda mais importância. Cada real economizado conta. Um levantamento feito pela Proteste, Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, fez a comparação de preços entre supermercados nas principais capitais do país.
Para isso, os pesquisadores consideraram uma cesta de consumo com 104 itens. E a diferença de preço que eles encontraram entre o supermercado mais caro e o mais barato foi bem alta: em média, 45%.
A pesquisa levou em conta preços de produtos de mercearia, higiene, limpeza, perecíveis e hortifruti em quase 700 mercados em seis capitais. Em Belém, a diferença do mercado mais caro para o mais barato ficou em R$ 131 reais. No Rio de Janeiro, R$ 139. A discrepância de preços foi aumentando: Goiânia, Porto Alegre, Salvador. Em São Paulo, a maior diferença: R$ 511; o que em um ano pode significar uma economia de mais de R$ 6 mil.
"Só em momentos de muita instabilidade que você tem essa diferença alargada. Os supermercados praticam um rodízio, fazem promoções, a semana da carne, a semana da hortaliça, a semana da higiene e assim por diante. Um atacado, por exemplo, costuma ter preços mais em conta do que supermercados e hipermercados, mas ele não tem todos os produtos. Ele não tem ar condicionado, ele não tem apoio no caixa para uma embalagem, alguma coisa. São ambientes mais simples, mais rústicos, de menor custo, normalmente situados em zonas mais baratas da cidade", orienta Henrique Lian, diretor da Proteste .
É por isso que, em época de inflação, os atacarejos crescem. E como vendem em grandes volumes, explica o diretor de um deles, conseguem ter descontos melhores da indústria e segurar ainda mais os repasses de preços.
"O poder de barganha é maior, por comprarmos mais volume. Isso nos traz uma condição muito melhor para apresentar para o consumidor", explica o diretor comercial César Machado.
O professor de economia Alberto Ajzental explica que, em tempos de inflação, fica difícil para consumidor e lojistas saber o preço dos produtos. O conselho? Pesquisar: "Não que a compra vá ficar necessariamente muito mais barata, porque a inflação está aqui e todos os bens de serviços ficaram mais caros. Mas entre pagar muito mais caro e pagar mais caro, é melhor pagar só mais caro".
A auxiliar de limpeza Jandira Ferreti faz essa pesquisa nos mercados da região onde ela mora. Só assim para driblar tantos aumentos de preço, diz ela: "Mês retrasado, eu gastei 300 e pouco aqui. E levei bastante coisa. Se eu fosse em outro mercado, eu levava metade do que eu comprei. Se hoje está mais barato aqui, lá está mais caro. Se lá está mais caro, tá mais barato aqui. e assim vai indo".