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PM arrisca a vida ao tomar remédio de R$ 37 mil vencido para tratar câncer raro em SP

De acordo com a família, policial não recebe remédio há cerca de 4 meses. Em outubro, a Secretaria de Saúde enviou medicamento emprestado de outro município, mas desde quando acabou, ele toma um lote vencido e doado por uma família.

Redação
Por: Redação Fonte: Por Vanessa Ortiz, g1 Santos
12/12/2021 às 13h55
PM arrisca a vida ao tomar remédio de R$ 37 mil vencido para tratar câncer raro em SP
Por causa da doença, policial perdeu o baço, e o transplante de medula óssea não foi bem sucedido — Foto: Arquivo Pessoal/Aurazil Tavares

Há um mês, o policial militar aposentado Aurazil Tavares, de 71 anos, está tomando um remédio de alto custo vencido porque não o recebe da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo há cerca de quatro meses. A medicação é usada para tratar a mielofibrose, um câncer raro e que ocorre devido à alterações de células da medula óssea.

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Morador do bairro Jardim Samambaia, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, o idoso luta contra a doença há oito anos. O medicamento, chamado Jakavi, tem o custo de aproximadamente R$ 37 mil, e não é distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no entanto, uma ação judicial fez com que o estado passasse a fornecer a ele desde 2017.

A doença afeta a medula óssea e ocasiona a paralisação da produção de sangue. Com isso, a medula cria cicatrizes, segundo a oncologista especialista em transplante de medula óssea Adriana Seber. Aurazil começou a tomar o remédio após ter que retirar o baço e tentar um transplante de medula óssea que não pegou. O Jakavi não o cura, mas estabiliza a doença, fazendo com que ele tenha qualidade de vida.

"A minha hemoglobina baixou tanto que tive que ir ao Hospital Guilherme Álvaro e tomar duas bolsas de sangue. Deve ser devido ao medicamento vencido. De acordo com os médicos, a falta da medicação pode me levar à morte ou à mutação para leucemia aguda, que só tem cura com transplante de medula, que não posso fazer mais", explica o policial.

Desde quando conseguiu a medida, segundo ele, o estado vem falhando com a entrega, fornece dois meses e falha um. Em 2020, ele chegou a ficar cinco meses sem a medicação, e neste ano, o remédio destinado a ele não é cedido há cerca de quatro meses. Há dois meses, a pasta entregou o Jakavi emprestado de outro município.

"Disseram que está em processo de compra, que deveria já estar continuamente comprando", afirma revoltado.

Para conseguir tomar o medicamento mesmo com a falta de entrega do estado, ele conta com doações de famílias de outros estados, que geralmente perderam entes queridos com a mesma doença. No entanto, segundo a esposa dele, Olívia Martina, quando a pessoa nota que pode doar o medicamento, ele já está vencido.

"Quando aparece eu pego, mesmo se estiver vencendo no mês, mas sei que não é aconselhável. A gente pensa sempre que vai fazer algum efeito, pelo menos para o psicológico da gente", explica ela. No entanto, mesmo tomando o medicamento vencido, o homem já passa por complicações com a doença. Está ficando anêmico e com as plaquetas baixas.

"A aparência dele vai mudando, ficando bem magrinho. Vai ficando cansado, já está com 62 kg. Nunca mandam correto, fico às vezes dois meses sem. Nada mudou, a gente continua com o mesmo problema. Medicação que ele tem direito, ganhou pela Justiça, e não vem. Não tem mais o que fazer, é uma sobrevida mesmo. A gente gostaria que ele tivesse direito ao tratamento", finaliza ela.

Ao ser questionada, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo informou que o medicamento Ruxolitinibe (Jakavi) deverá estar disponível para retirada na próxima semana, e que a família será comunicada.

 

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