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Bolsonaro desautoriza Mourão por fala sobre Ucrânia, mas não diz o que pensa sobre invasão russa

'Quem fala sobre esse assunto é o presidente. E o presidente chama-se Jair Messias Bolsonaro', disse. Pela manhã, vice-presidente disse que Brasil não está neutro e não concorda com a invasão.

Redação
Por: Redação Fonte: Por Pedro Henrique Gomes, g1 — Brasília
24/02/2022 às 22h50
Bolsonaro desautoriza Mourão por fala sobre Ucrânia, mas não diz o que pensa sobre invasão russa
Bolsonaro desautoriza Mourão por fala sobre Ucrânia, mas não comenta invasão russa

O presidente Jair Bolsonaro desautorizou na noite desta quinta-feira (24) o vice-presidente Hamilton Mourão por declarações a respeito da invasão da Ucrânia pela Rússia. Pela manhã, Mourão disse que o Brasil não é neutro no conflito e não concorda com a invasão do território ucraniano.

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Em transmissão ao vivo por redes sociais ao lado do ministro das Relações Exteriores, Carlos França, Bolsonaro exibiu cópia em papel de reportagem do g1 que reproduzia declaração do vice-presidente: "Brasil não concorda com a invasão do território ucraniano".

Sem mencionar o nome de Mourão, Bolsonaro disse que não é competência do vice falar sobre esse assunto.

"Deixar bem claro: o artigo 84 diz que quem fala sobre esse assunto é o presidente. E o presidente chama-se Jair Messias Bolsonaro. E ponto final. Com todo respeito a essa pessoa que falou isso — e falou mesmo, eu vi as imagens — está falando algo que não deve. Não é de competência dela. É de competência nossa", declarou.

Nesta quinta, o partido Republicanos — da base do governo, mas que está em conflito com Bolsonaro — anunciou a filiação de Mourão, que pretende disputar a eleição deste ano como candidato a senador pelo Rio Grande do Sul.

Pela manhã, ele foi questionado por repórteres sobre a crise entre Rússia e Ucrânia:

“O Brasil não está neutro. O Brasil deixou muito claro que ele respeita a soberania da Ucrânia. Então, o Brasil não concorda com uma invasão do território ucraniano. Isso é uma realidade”, disse o vice-presidente ao chegar pela manhã ao Planalto.

O presidente disse que escuta ministros envolvidos com os temas antes de tomar decisão sobre posições que Brasil adotará no âmbito diplomático. Ele deu a declaração ao lado do ministro das Relações Exteriores, Carlos França.

"Só para vocês terem uma ideia. Não é combinado, é acertado naturalmente, quando é que eu falo qualquer coisa sobre esse problema Rússia e Ucrânia? Eu falo depois de ouvir o ministro Carlos França, das Relações Exteriores, e o da Defesa, Braga Netto. E ponto final. Se for o caso, convido mais algum ministro para a gente tomar uma... para eu tomar uma decisão", afirmou o presidente.

O presidente disse que o governo quer a paz, mas não manifestou posição sobre a invasão russa ao território ucraniano.

"Nós somos da paz, nós queremos a paz. Viajamos em paz para a Rússia. Fizemos um contato excepcional com o presidente Putin. Acertamos a questão dos fertilizantes para o Brasil", disse Bolsonaro.

Momentos depois, Bolsonaro voltou a criticar, sem citar nominalmente, o vice-presidente da República.

"Tudo que estiver ao nosso alcance faremos pela paz. Então, quem fala dessas questões chama-se Jair Messias Bolsonaro. E quem dúvida disso pode procurar o artigo 84. Mais ninguém fala. Quem está falando está dando peruada naquilo que não lhe compete", declarou Bolsonaro.

A invasão da Ucrânia começou na madrugada desta quinta-feira (24) por ordem do presidente russo Vladimir Putin. Os russos invadiram o país vizinho a partir de vários pontos da fronteira. A ação gera uma crise militar e diplomática na Europa sem precedentes neste século.

Na semana passada, Bolsonaro fez viagem oficial à Rússia. Ao lado de Putin, Bolsonaro se disse "solidário" à Rússia, sem especificar a que se referia essa solidariedade. A declaração do presidente criou um desgaste para a diplomacia brasileira, em especial com os Estados Unidos. Uma porta-voz da Casa Branca condenou a atitude do presidente brasileiro.

Durante a "live" pelas redes sociais, Bolsonaro disse que teria reunião ainda nesta quinta com ministros e outros integrantes do governo para tratar da situação da Ucrânia.

"Nossa posição é pela paz. Nas próximas horas, tenho reunião com o ministro França, tenho com o ministro da Defesa também, o Braga Netto, mais autoridades do governo para que nós possamos, não seria a primeira reunião nossa, dimensionar o que está acontecendo e o Brasil tem a sua posição", afirmou Bolsonaro.

Retirada de brasileiros da Ucrânia

O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, afirmou que o ministério elabora um "plano de contingência" para a retirada de brasileiros do território ucraniano.

"Esse plano de contingência, como é óbvio, nós não podemos soltar os detalhes ou anunciar muita antecedência. Mas ele envolve contato com países vizinhos, como por exemplo a Polônia e a Romênia, e claro, negociação intensa com autoridades ucranianas que têm controle do território lá", disse.

De acordo com o ministro, a retirada será feita quando a diplomacia brasileira identificar que têm "condições adequadas de segurança".

França afirmou que a possibilidade maior é de retirada dos brasileiros por terra, via rodovias ou ferrovias. Mas não descartou totalmente uma operação aérea.

"O espaço aéreo está fechado, mas nós estamos vendo também a possibilidade de negociar um acesso ali, se for o caso. Talvez seja mais fácil por via terrestre, por conta das distâncias que a gente tem ali", afirmou.

O ministro do Itamaraty também declarou que o Brasil tem sido procurado por países da América do Sul, como Argentina e Equador, para pedir ajuda na retirada de seus respectivos cidadãos da Ucrânia.

França afirmou que a prioridade é retirar os brasileiros, mas que o Brasil buscará atender os pedidos dos países vizinhos.

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