
Uma pesquisa realizada pela Ipsos-Ipec revelou que 54% dos brasileiros acreditam que a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como grupos terroristas representa uma intromissão em assuntos que dizem respeito unicamente ao Brasil.
Os entrevistados para a pesquisa responderam que temem principalmente pela segurança de moradores em áreas vulneráveis e pela soberania nacional.
Em contrapartida, 35% não enxergam a ação como uma interferência externa no Brasil.
A medida foi oficializada no início de junho e provocou reações negativas por parte do governo federal.
Segurança nas periferias
De acordo com os dados apurados, 56% dos entrevistados concordam (totalmente ou em parte) que a medida coloca em risco os moradores de comunidades controladas por essas facções, enquanto 33% discordam do argumento.
Sobre o país de forma abrangente, 48% dos brasileiros acreditam que a classificação ajudará a melhorar a segurança pública no Brasil, porém 41% discordam que haverá melhora.
Impactos no Pix
O levantamento também mediu o receio da população com a economia. Cerca de 47% dos ouvintes temem que haja prejuízos à economia brasileira, e 48% veem a medida como uma ameaça direta aos recursos nacionais.
Por outro lado, quando questionados se acham que o Pix corre riscos, a maioria dos entrevistados (52%) disse discordar, enquanto 33% demonstraram algum tipo de receio de que o método de pagamento seja afetado pela decisão dos EUA.
“Os dados revelam um brasileiro cauteloso e atento às consequências práticas da medida adotada pelo governo norte-americano. A população demonstra preocupação legítima com os moradores de comunidades vulneráveis e enxerga a ação como uma possível interferência em questões internas. Ao mesmo tempo, chama atenção a discordância à narrativa de ameaça ao Pix: o brasileiro confia na manutenção do sistema que utiliza diariamente e acredita que ele está a salvo de interferências externas”, analisa a diretora da Ipsos-Ipec, Márcia Cavallari.
Por R7