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Lula leva temas da campanha à reeleição ao 7 de Setembro e reforça elo com a cúpula do Congresso

Soberania e defesa dos direitos das mulheres, motes usados eleitoralmente, aparecem no desfile em Brasília

Redação
Por: Redação Fonte: Por O Globo
07/09/2026 às 19h52
 Lula leva temas da campanha à reeleição ao 7 de Setembro e reforça elo com a cúpula do Congresso
Em vários momentos do desfile, o público gritou o nome do presidente e pediu o fim da escala 6x1 - Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou uma série de temas eleitorais para o desfile de 7 de Setembro, realizado na manhã desta segunda-feira na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Durante a cerimônia, Lula reforçou o elo com a cúpula do Congresso a menos de um mês do primeiro turno, ao assistir ao desfile ao lado dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que apoiam a sua reeleição. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, também compareceu.

O evento marca mais um passo na reaproximação entre Lula e Alcolumbre, em uma relação que foi retomada após um período de três meses de total afastamento político. A crise foi desencadeada em abril, quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF. A relação foi retomada há um mês, com uma série de encontros que destravaram a pauta do governo no Senado, com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública e os projetos das terras raras e dos incentivos aos datacenters.

Em vários momentos do desfile, o público gritou o nome do presidente e pediu o fim da escala 6x1, em referência ao tema que tem apoio do governo e está em tramitação no Senado. Na semana passada, o texto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e agora depende de análise do plenário da Casa, o que pode ocorrer depois do primeiro turno, quando os parlamentares voltarão a se reunir para votações. Ainda que não tenha dito publicamente, Alcolumbre apoia reeleição de Lula e está ao lado do governo no Amapá, onde tenta reeleger o governador Clécio Luís (União Brasil).

Já Motta tem se aproximado de Lula mirando também o cálculo eleitoral na Paraíba, estado em que o presidente mantém forte apoio. Em 2022, Lula venceu em todas as cidades da Paraíba e obteve, no segundo turno, 66,6% dos votos. Motta trabalha para eleger seu pai, Nabor Wanderley, senador pelo Republicanos. Em 10 de setembro, Motta declarou publicamente apoio à reeleição de Lula. A reconciliação ocorreu após um período de turbulências, especialmente quando a Câmara derrubou o decreto que aumentou o IOF, em 2025, e colocou o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) para relatar o projeto antifacção na Câmara, já neste ano. As duas ações que tensionaram a relação com governo. Motta e Alcolumbre também buscam o apoio de Lula em um eventual quarto mandato para suas respectivas reeleições ao comando da Câmara e do Senado.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, foi o único integrante da Corte a estar na Esplanada. Já os ministros de Lula compareceram em peso a pedido do Palácio do Planalto. Além do vice-presidente Geraldo Alckmin, estavam Miriam Belchior (Casa Civil), Dario Durigan (Fazenda), Wellington Lima e Silva (Justiça), José Múcio (Defesa), Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), Alexandre Padilha (Saúde), Leonardo Barchini (Educação), Sidônio Palmeira (Comunicação Social), entre outros.

A apresentação durou duas horas e foi dividida em três eixos: “Soberania, a força que une o Brasil”, “Brasil unido pela proteção de meninas e mulheres” e a Copa do Mundo Feminina 2027. A vacinação também esteve entre os temas explorados durante a cerimônia.

A soberania, uma das linhas principais da campanha petista, teve espaço de destaque no desfile. Além do slogan principal, foi repetida diversas vezes na fala dos narradores da apresentação. O tema ganhou espaço na campanha de Lula ao quarto mandato em meio aos embates comerciais com os Estados Unidos e será reforçado este mês, quando Lula viaja a Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas.

A expectativa é que o brasileiro volte a se encontrar com o presidente Donald Trump depois de uma nova rodada de sobretaxas impostas pelo governo americano a produtos do país. A Advocacia-Geral da União (AGU) acompanhou os preparativos do desfile para evitar que algum ponto configurasse propaganda eleitoral antecipada e abrisse brecha para adversários contestarem no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ainda durante a cerimônia, o perfil de Lula nas redes sociais publicou um material de campanha, com uma foto da bandeira do Brasil e a legenda: “A bandeira do povo brasileiro é a bandeira do Brasil”. O objetivo é fazer um contraponto ao uso da bandeira dos Estados Unidos, que já apareceu em atos bolsonaristas.

O mesmo tom já havia sido usado na noite de domingo. No pronunciamento pelo 7 de Setembro, em cadeia nacional de rádio e televisão, Lula afirmou que o Brasil “é um país soberano” e que “não será colônia”. Sem citar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o petista fez críticas ao tarifaço imposto pelo governo americano.

em ministros do STF

Fachin foi o único ministro do STF presente. Envolvido em um embate com André Mendonça, Alexandre de Moraes não foi. Gilmar Mendes e Flávio Dino estão fora de Brasília e também não compareceram, assim como Cristiano Zanin. Os quatros compõem o grupo com maior interlocução com o presidente da República na Corte. No início do mês passado, antes de a crise eclodir, Lula se reuniu com Alcolumbre, de quem estava distante, na casa de Moraes. Zanin também participou.

No ano passado, nenhum ministro da Corte compareceu ao evento, que aconteceu durante o julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por participação na trama golpista de 2023.

Já em 2024, Moraes, Dino, Gilmare Zanin estiveram no desfile, acompanhados de Luís Roberto Barroso (então presidente da Corte e hoje aposentado), e dos ministros Dias Toffoli e Edson Fachin.

Como mostrou O GLOBO, Lula tenta se distanciar da crise no STF. Na quinta-feira, o presidente gravou um vídeo de pouco mais de um minuto em que não cita diretamente Moraes, mas diz que há suspeita de envolvimento de políticos e agentes públicos no caso Master.

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