
A bancada do PT na Câmara pediu a Hugo Motta (Republicanos-PB) que o PL fique fora do bloco partidário que apoia a recondução do parlamentar à frente da Câmara, num movimento para isolar o partido de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A iniciativa ocorre após o crescimento expressivo da legenda no Congresso, que terá a maior bancada na Câmara (121 deputados) e no Senado (28 senadores).
O pedido foi feito em reunião dos petistas com Motta na terça, que sacramentou o apoio da legenda à recondução do parlamentar. Com a adesão do PT, o bloco —que reúne também parlamentares de União Brasil, PP, PSD, MDB, Republicanos, PSDB, Cidadania, Podemos, Solidariedade, PRD, PDT, PC do B, PSB e PV— terá uma base de 361 deputados, suficiente para reeleger Motta na presidência (são necessários 257 votos de 513).
Na prática, no entanto, como a votação é secreta, o apoio desses partidos a Motta não garante uma adesão total, mas o parlamentar sai de largada com uma base robusta.
De acordo com relatos, após o pedido do PT, Motta não garantiu que deixará o PL fora da aliança, mas afirmou que todas as siglas que estão no bloco serão consultadas antes da entrada de outra legenda. Dois petistas afirmam, sob reserva, que o pedido do PT é quase como um veto ao partido de Flávio.
Um deles diz ainda que a fuga do candidato derrotado para os Estados Unidos e a divulgação de uma carta de teor golpista, que foi rapidamente rechaçada por partidos —até mesmo siglas que apoiaram o senador na disputa pela Presidência— aumenta as chances de isolar o PL na Casa.
Nos bastidores, lideranças de partidos do centro têm apoiado que o PL fique de fora da composição.
O partido de Flávio saiu fortalecido das urnas, enquanto o Centrão perdeu espaço. Desde o resultado das eleições, os partidos passaram a atuar para enfraquecer e diminuir a influência da sigla na Câmara.
Na quarta, Motta se reuniu com presidentes de partidos do centro e anunciou um acordo para aprovar uma reforma no sistema eleitoral que diminua a força dos chamados “puxadores de votos”, além de indicar que trabalhará para alterar o Código Eleitoral e incluir uma regulação da propaganda eleitoral nas redes sociais e plataformas.
Um aliado de primeira hora do presidente da Câmara diz ainda que o PL e lideranças da sigla foram injustas com Motta nos últimos dias, e que cabe ao partido buscar o deputado, e não o contrário.
Após sair na frente no primeiro turno, Flávio disse a lideranças do Centrão que não apoiaria a recondução de Motta caso ele fosse eleito chefe da República e pediu sugestões de outros nomes do grupo (o que foi rejeitado). Isso porque Motta se aproximou do presidente da República, declarou apoio público a Lula e participou de atos a favor do petista no estado, usando boné vermelho com o nome do presidente e fazendo o gesto do “L”.
Há também queixas no entorno do parlamentar que ficaram contrariados com a ofensiva de lideranças do PL que passaram a buscar pessoalmente deputados do Centrão em busca de apoio para uma candidatura própria e mirando desidratar Motta.
O líder do partido na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ), se colocava como candidato, mas recuou após Flávio perder as eleições. O deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), atual vice-presidente da Câmara, é cotado também caso o PL mantenha a intenção de disputar o comando da Casa.
Caso o PL fique de fora do bloco, o partido (que tem a maior bancada) poderia ser prejudicado nas questões internas do dia a dia legislativo —seja no espaço da Mesa Diretora como nas composições das comissões.
Além disso, Motta não teria compromisso de privilegiar a sigla na divisão das emendas parlamentares nem na relatoria de propostas de interesse.