
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, homologou a delação premiada do ex-dono da gestora de fundos Reag João Carlos Mansur. O acordo, fechado com a Procuradoria-Geral da República, foi o primeiro a ser celebrado nas investigações sobre o escândalo do Banco Master.
Como mostrou o GLOBO, um dos principais focos da colaboração é o dono do Banco Master Daniel Vorcaro, que está preso desde março e também tenta firmar uma delação premiada com as autoridades. No comando da Reag, Mansur era o responsável por estruturar a teia de fundos que abasteceu o suposto esquema do Master.
Com o aval, a PGR poderá utilizar as provas e os relatos de Mansur nas investigações do caso Master. Em troca pela colaboração, é previso que ele receba benefícios penais.
O acordo foi homologado por Fachin já que o presidente do STF está decidindo sobre os pedidos urgentes do inquérito do caso Master. O relator original do caso, André Mendonça, remeteu a investigação ao gabinete e Fachin em meio à crise aberta na Corte com a troca de acusações entre os ministros em razão da citação a integrantes do Supremo nas mensagens de Vorcaro.
Antes de a investigação ser remetida a Fachin, Mendonça chegou a homologar a delação de outro personagem ligado a Vorcaro: o operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro. O empresário é dono da Entre Investimentos e Participações, usada para repasses de dinheiro entre o banqueiro Daniel Vorcaro e a produção de “Dark horse”, o filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A delação de Freixo Junior aponta o caminho do dinheiro dos repasses feitos ao fundo Havengate, sediado no Texas e principal financiador do filme Dark Horse. Como mostrou a coluna Malu Gaspar, 'Mineiro' confirmou à PGR ter realizado ao longo do ano passado sete transferências bancárias para o fundo Havengate que totalizam US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 69 milhões no câmbio da época) a pedido de Vorcaro.