
A Polícia Federal apreendeu nesta quinta-feira em um endereço do deputado federal Mário Frias (PL-SP), em Brasília, uma coleção de sete armas de fogo. O arsenal estimado em cerca de R$ 60 mil foi confiscado, porque ele estava guardado num local diferente do que foi declarado nos certificados da PF. Frias tem um registro ativo de CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador), mas pode responder a um processo por posse irregular devido a incongruência sobre os endereços.
Entre as armas apreendidas a mais valiosa é a carabina calibre 9 mm fabricada na Eslováquia. Há uma inscrição nela com a frase "Grand Power Made in Slovakia", além de estar equipada com lanterna e mira holográfica. No mercado, um modelo novo custa entre R$ 20 mil e R$ 30 mil.
No arsenal, também constava uma espingarda de cano duplo cortado no estilo "coach gun" (espingarda de mensageiro). O objeto tem esse nome porque era usado na defesa de carruagens no Velho Oeste americano. O custo dela seria de cerca de R$ 3 a 5 mil.
As outras armas são quatro pistolas 9 mm, duas pretas, uma bege e uma bicolor. Esse modelo é o mais usado pelos policiais militares do país e passou a ser de uso restrito no governo Lula - antes, era de uso permitido na gestão de Jair Bolsonaro. Os objetos têm um preço que variam entre R$ 4 mil a R$ 13 mil. Além das pistolas, também havia um revolver com empunhadura emborrachada provavelmente de calibre .38, com custo estimado entre R$ 4 mil a R$ 6 mil.
Caso seja confirmada a irregularidade em relação aos endereços, Frias pode ter o registro cassado e ser obrigado a transferir as armas - o que significa vender ou doar o armamento a pessoas autorizadas.
O deputado foi alvo de mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. A operação chamada de "Make Up" visa aprofundar uma investigação sobre o financiamento do filme "Dark Horse", que tem o deputado como produtor executivo. O longa retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro e ainda não tem data para ser lançado no Brasil.
A PF investiga se a produtora responsável pelo filme recebeu recursos de emendas parlamentares para produzir o longa. Parte dessas emendas foram indicadas por Frias para outros projetos que eram tocados por entidades ligadas à mesma produtora.
Procurado, o deputado federal ainda não se posicionou sobre as investigações e as armas apreendidas pela PF.