
O sonho de disputar uma Copa do Mundo pode ser interrompido em uma fração de segundos por uma lesão que, para os leigos, parece simples. Esse foi o tema central do debate desta terça-feira no programa Cidade em Debate, da Rádio Itatiunga FM. Os apresentadores Paulo Costa e Phablo Rhuan receberam o fisioterapeuta João Victor para analisar os bastidores físicos e os dramas médicos que envolvem os atletas de elite no maior torneio de futebol do planeta.
Durante a entrevista, o especialista abordou casos de grande repercussão na mídia esportiva, detalhando como problemas na panturrilha — como os que geraram incertezas sobre a escalação de Neymar — e estiramentos na virilha (região adutora), a exemplo do caso do jogador Wesley, são complexos e demandam tempo de cicatrização.
"A lesão na panturrilha é uma das mais chatas para se tratar, porque um simples caminhar já incomoda. Em outras regiões, usando medicações ou outros artifícios, o atleta até consegue jogar. Mas a panturrilha exige tempo para cicatrizar", explicou João Victor.
O fator extracampo e a liderança de Neymar
Questionado pelos apresentadores sobre as condições reais de jogo de Neymar e a dedicação do craque, o fisioterapeuta ressaltou que a recuperação vai muito além das sessões de fisioterapia na maca. Hábitos como a qualidade do sono, alimentação adequada e o foco nos treinos são determinantes.
Ainda assim, João Victor ponderou que a presença do camisa 10 na seleção brasileira justifica o esforço do departamento médico da CBF, mesmo que ele não retorne 100% fisicamente. Segundo o profissional, a presença do craque funciona como um "escudo" psicológico e uma referência técnica para os atletas mais jovens da equipe, atraindo a atenção e a forte marcação das defesas adversárias.
Da elite ao dia a dia: O diagnóstico clínico
O programa também traçou um paralelo entre a estrutura de ponta do futebol profissional e o cotidiano da população geral. Enquanto um atleta de alto rendimento tem acesso a exames de imagem em tempo recorde, o cidadão comum pode identificar e tratar patologias por meio de uma avaliação clínica detalhada.
Segundo João Victor, o relato do paciente sobre as atividades que desencadeiam o desconforto — como subir escadas ou realizar tarefas domésticas — é fundamental para criar conexões e diagnosticar problemas comuns, como a artrose e a condromalácia patelar.
Prevenção e o trabalho multidisciplinar
Com passagens e experiência no futebol regional — incluindo o Nacional —, João Victor enfatizou que nenhuma equipe médica consegue prever ou evitar lesões em 100% das vezes, mas sim minimizar os riscos. Para isso, o sucesso depende de um trabalho integrado e multidisciplinar.
"A lesão nunca vai ser evitada totalmente. O que fazemos é minimizar os riscos por meio de uma ação conjunta entre fisioterapia, medicina, nutrição e psicologia. Até mesmo o estado emocional do atleta pode influenciar no surgimento de uma dor lombar ou de uma lesão muscular", concluiu o fisioterapeuta.

Por Redação